Revelação – um conto.

Este é meu primeiro conto. Não espero que muitos entendam. Só espero que escrever alivie parte do peso que carrego há exatamente um ano.

“Aquela era a primeira noite do fim. Milhares de palavras já haviam sido ditas, ofensas atiradas, mas lá estavam eles enfim, dividindo o mesmo quarto. O ar era denso. Enquanto ouvia a água do chuveiro caindo, ela olhava fixo no escuro e tentava justificar o que tinha acontecido naquele último mês, que parecia um pesadelo, mas não encontrava explicações o bastante. Podia ver as pontas, mas sabia que  aqueles olhos claros eram na realidade um mar escuro que escondia icebergs inteiros, os quais ela jamais iria desvendar. Em parte, porque não queria ver. Num impulso, ela pegou o celular dele e se arrependeu para o resto da vida, de ter finalmente encontrado a conexão que dava algum sentido ao gelo que dominara suas vidas, e ao inferno que vinha passando dentro de si. As torres caíram. Queria gritar, chorar, expressar de alguma maneira violenta uma pequena porcentagem do que estava sentindo por todo aquele tempo, mas não conseguiu. Mais uma vez ficou tudo entalado no comecinho da garganta, com um gosto amargo que chegava a queimar, e escorria até o coração, encharcado de um misto de sentimentos ruins que não podem ser descritos. O ar ficou tão pesado que respirar era quase impossível. A cabeça rodou, o barulho da água parou, ela se deitou incapaz de encará-lo. Doía, doía muito. Mais uma vez conversaram, discutiram, se ofenderam. Ele lhe disse que ela era a maior decepção da vida dele e ela não conseguiu dizer nada. Onde estava aquele amor? Aquelas promessas? A vida que estavam construindo? Pareciam um sonho distante. Um pesadelo. Ela só queria acordar.  Talvez tudo que haviam vivido só existisse na cabeça dela. Na realidade, esses planos nunca a incluíram, mas de alguma forma ela entrou e foi ficando, até chegar o momento em que ele poderia concretizá-los com quem realmente queria. Ele não precisava mais dela. Enfim, os dois deitaram na mesma cama. Ela repousou a cabeça no peito dele e as lágrimas finalmente desceram, saídas do fundo de sua alma, pesando toneladas, queimando sua face. Ela sentiu as mãos alisando seus cabelos e sentiu ódio, mas algo mais forte venceu e foi naquele momento que ela o abraçou e se deu conta, embora sem jamais aceitar: estava acabado.”

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