Mitos da Virada Cultural

Oi gente! Meu primo pediu para relatar a minha primeira experiência na virada cultural de São Paulo, então cá estou eu. Para desenvolver essa tarefa com presteza (nossa, como eu tô requintada hoje), achei melhor comentar alguns mitos que ouvi dos paulistas antes de ir e dissertar sobre o que vivenciei.

A Virada Cultural é promovida anualmente desde 2005 pela prefeitura da cidade de São Paulo com o intuito de promover 24 horas ininterruptas de eventos culturais variados. Inspiração vem da Nuit Blanche de Paris… eis como foi descrita para mim…

1) É muito legal e tem entretenimento de graça e com qualidade, tem muito show bom.
Confesso que eu esperava mais. Não achei a programação interessante, mas os próprios paulistas parecem reconhecer que houve uma queda gigantesca de qualidade do evento em diversos sentidos em relação aos anos anteriores, e ficaram tão decepcionados quanto eu.
2) Você tem que se programar para onde quer ir antes de sair de casa.
Tem que se programar em vários sentidos mesmo! Primeiro, prepare-se para encarar multidões infintas (falarei sobre isso logo mais) e andar pra caramba. Uma coisa legal é que o metrô funciona 24h, mas você continua pagando por cada vez que passa pela roleta. Ou catraca, como chamam aqui, e assim a máfia fica ainda mais rica, ainda que metrô seja desnecessário para circular na maior parte do evento, pois os palcos ficam bem próximos… mesmo assim, cansa. Não tem mesmo lugar para sentar, e os cantinhos que você pode cogitar como uma entrada de loja, beira de lago da praça ou escadas, estão todos vomitados, mijados ou com gente doidona estirada. Além disso, a prefeitura até que coloca uns cartazes bem grandes para que todos possam acompanhar a programação, mas parar para ler é o mesmo que pedir para ser assaltado. Ainda dá para descolar uns mapas em folders, mas requer habilidade e sorte para encontrar um inteiro e utilizável.

3) Tem muita gente, mas é tranquilo.
Seu cu. Muita gente é apelido. Eu acho que o país inteiro estava lá, o que por um lado poderia ser super legal, ainda que eu deteste desconhecidos no mesmo metro quadrado que eu, se as pessoas tivessem um mínimo de bom senso.  Mas também, que inocência a minha… logo no metrô você é empurrado e levado pela maré de tchuntchás gritando feito animais, bêbados, piriguetes seminuas sensualizando desde os vagões até as ruas… Isso porque eu estou detalhando aos poucos. Sintam a vibe.

 

4) A prefeitura retira os “mau elementos” do centro velho e coloca um monte de PM na rua, fica super seguro. 

Mais uma vez: seu cu. Dá bobeira pra você ver… Ir de bolsa, levar carteira, celular, … Isso é coisa de gente burra. Você está lá, lutando pela sobrevivencia de sair daquele show insuportável (e pior que a música do primeiro show pelo qual passei estava boa, mas nem pensar em dar mole e aproveitar).. Voltando… você está simplesmente andando e brota um bando de maloqueiro.. e por bando entendam fácil mais de 100 cabeças, e cruzando a esquina vem outro igualmente enorme. Eles se olham e alguma rajada de ódio indica que devem tentar se matar… coitado de quem estiver no meio. Isso quando eles não estão passando e um ou outro te batem e se você reclamar, te espancam até você quase morrer…  Ou quando você está tranquilo num canto e passa o bonde dando arrastão.. é horrível e me lembrou seriamente o apocalipse zumbi: passa uma infinidade de moleque e o mundo gira por alguns segundos: quando você volta a si, se não conseguiu escapar, apenas desejo que tenha boas memórias do tempo em que você, sua carteira e seu celular viviam juntos. Há policiamento? Sim, bastante, como nunca vi. Mas o governo simplesmente divide os policiais em grupinhos de 3 ou 4 a cada esquina por 24h seguidas (que nunca duram 24h “apenas”), e esperamos que essas equipes vão lá se enfiar no meio de 100 cabeças provavelmente armadas, para impedir qualquer coisa. Uma das situações que passamos foi avisar o PM que estavam espancando um cara logo à frente e a nossa resposta “Ah, legal”. Ficamos revoltados, mas quando olhamos de novo, os caras estavam com uma cara de cansaço de dar dó… é realmente uma situação complicada. Lição,em suma: não conte com a segurança, mas não culpe os PMs.

5) Show de Rap tem tiro. 

Não sei se foi em show de Rap, mas sei que morreu gente e muitas pessoas foram baleadas. Disso realmente não sei o que dizer, estive num dos shows de Rap e não vi sinal de arma de fogo.

6) Se você se aproximar do público do Reggae, só dá pra ver os caras da cintura para baixo. 

HAHAHA Essa afirmação é verdadeira. Fato. Você olha para o show de longe e os maconheiros são tão tensos, que fica uma nuvem de fumaça absurda, a gente não vê mesmo cabeça de ninguém!!! É perfeitamente possível ficar drogado com cinco minutos de caminhada no ambiente, porque, sério… gente.. até agora eu tô inconformada! Além disso tinham as rodinhas de amigos sentados no gramado, com direito a narguilé e tudo, tinham aqueles perto do lago que eu acho que teria visto mergulhar se tivesse ficado por um pouco mais de tempo, os playboyzinhos metidos a ser diferentes vendendo drogas como feirantes – gritando na multidão “loló de 5 é aqui comigo”… os que morreram de overdose… e ainda aquelas drogas alternativas, como o alcool sujo de vermelho que chamam de vinho caseiro e que faz jovens dormirem na praça involuntariamente e acordarem nus (ok, exagerei.. xD)… os energéticos em tubos (sabe-se lá que diabos eram aqueles tubos que pareciam cola quente colorida na mão dos vendedores)… e por aí vai….

 


7) A praça do piano é o lugar mais legal. 

Bom..a praça do piano não é exatamente uma das atrações que as pessoas sairiam de casa para ver, já que é uma praça muito bonita e com barzinhos lotados, mesas por toda a calçada, em que pianistas ficam se revezando… linda a iluminação, pessoas educadas e cultas, e não havia uma unica briga ou muvuca por perto. Eu realmente gostei, mas sou suspeita porque adoro piano. Dizem as más línguas que é o melhor lugar para dormir, principalmente porque é uma das únicas apresentações que dispõe de cadeira. É bem romântico.

 

Ok, ironias e exageros à parte. a Virada Cultural tem tudo para ser um evento muito bom, se fosse melhor organizado e planejado, se as pessoas não parecessem animais selvagens e sedentos cuja a jaula teve a porta aberta sem querer. Se tiver a oportunidade, vá, mas tenha bastante disposição, mente aberta e esperteza. Espero ter experiencias mais proveitosas nos anos próximos, principalmente no que remete à programação e segurança.

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