As Torres de Dentro

“(…) Cada sonho nosso foi constituído andar por andar, e teve vezes que ultrapassamos as nuvens, erguemos nossos prédios do milênio, mais alto que qualquer prédio de Cingapura, Shangai, Nova York. Fala-se de castelos. É mais ou menos isso: sonhos aparentemente concretos.
Já tive torres internas que foram ao chão. Torres altas demais pra mim, torres que nem chegaram a ficar concluídas, torres que me exigiram esforço e que me deram prazer, até que alguém, com uma frase ou com um gesto, as fez virem abaixo. Tinha gente dentro, tinha eu.

Torres são visíveis, monumentais: viram alvo. Um projeto empolgante demais, uma paixão incontrolável demais, um desejo ardente demais, idéias ameaçadoras demais: tudo isso sai da linha plena da existência, coloca-nos em evidência, a gente acha que os outros não percebem, mas percebem, e se assustam. Quem nos derruba? Nossa vunerabilidade.

Tem gente que perde um grande amor, mais de um, filhos, pais e irmãos. Tem gente que perde a chance de mudar a vida. E há os que perdem tempo. Os anos passam cada vez mais corridos, os aniversários se repetem… E no entanto, estamos de pé, porque não ficamos apenas contando os meses e os anos em que tudo se passou. Construímos outras torres no lugar. As novas torres que erguemos serão sempre homenagens póstumas às nossas pequenas mortes e uma prova de confiança em nossas futuras glórias.”

Martha Medeiros

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